domingo, 29 de agosto de 2010

Pra quem continua tentando


'Felicidade talvez seja isso: alegria de recolher da
terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos!'

[Pe. Fábio de Melo]


Hoje as dores são demais para nós, sonhadores, que tivemos nossos sonhos amputados. Sonhos encardidos com a força do tempo. Tento olhar para trás e me imaginar criança com os olhos de agora. Tanta inocência, tanto afeto que abraçava com as duas mãos. Agora, um baú de esgotamento, que luta todo santo dia pra manter a chama acesa, bem dentro, bem forte.
Às vezes, um punhado de horas por dia, me bate no peito a voz da desistência, que me ameaça com a cara mais pálida que há no mundo, me dizendo coisas absurdas, mas que me são tão mais fáceis e acessíveis. - Desista - ela diz. Às vezes eu retruco, brigo com ela. Outras tantas, sou eu quem chora baixinho.
Nó no peito, sorriso apertado, o tempo passando feito um monte de areia escorrendo na palma da mão e, você estancado, em cima do muro, com medo de dar o passo. Aí se olha pra trás e vê o quanto a caminhada foi longa e as dores maiores ainda. A voz da desilusão insiste em atravancar o caminho. Estende um copo de dúvidas na nossa frente.
Mas como nesse terreno da vida o que vale é o que você planta nele, do nada, surge uma penca de girassóis e aponta um céu. Um céu de escolhas felizes e tão mais claras. Esses girassóis costumam chegar quando você menos espera. Mas você sabe o momento em que eles chegam pelo cheiro de carinho no ar. Cheiro de abraço de amigo, colo de mãe. Cheiro de bolo saindo do forno e passeio de domingo no parque.
É nessas horas que você percebe que Deus não desiste nunca. E que ele sempre prepara surpresas risonhas pros nossos caminhos. Embrulha tudo com papel de ternura. Mas pra você recebê-las terá de ter um coração aberto e tranquilo. Terreno fértil que dá frutos da mellhor qualidade. Por isso, quando chegar a hora de dormir, não esqueça de acender a vela da fé, aquela que mora no coração e que acende a alma. A única vela que nos mostra o rumo.


“Sobre todos aqueles que ainda continuam tentando,
Deus, derrama teu sol mais luminoso”

[Caio F]


Neves Paulista, São Paulo

Cris Carvalho

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vácuo


Dentre dores, rumores, amores, um pouco de você.
Um pouco da sua alegria, que talvez tenha restado em mim.
Enquanto tomo mais um copo de chá, a chuva cai lá fora. Uma chuva fina. Ela me fez lembrar de quando cortei meu dedo com uma folha de papel. Aquele papel com aquele escrito seu. Uma dor fina e molhada, feito essa chuva de agora.
A cada gole, percebo que o tempo passou sem passar. O passou, me remete a outros sentimentos. Outras pessoas. O sem passar, a você, que mesmo com o passou, tudo parecendo ter ido, onde na verdade foi adormecido. É isso.
Um amigo uma vez me disse a seguinte frase: “Te acalma, existem coisas que precisam ser adormecidas para que sejam acordadas no momento certo. Se não, a vida se encarrega de apagar de vez.” – Pois é. Depois de tanto tempo a sua alma não foi apagada da minha.
Sou uma pessoa cheia de quereres. Quereres das coisas mesmo. Ou a própria música de Caetano Veloso – Os Quereres “ - Ah bruta flor do querer”. Na verdade, me refiro também, “a garota tão louca” que Gonzaguinha fala na música –Maravida-. Não sou diferente. Não somos.
Engraçado quando me pego olhando pro espelho e nele reflete outra imagem que não sou eu. Incrível como isso acontece, estranho também, às vezes engraçado.
Gostaria de estar tomando um vinho seco agora. Sabe aquele vinho com gosto de madrugada? Mas... não tenho vinho. Cigarro aqui até tem, mas, pra falar a verdade... não tenho vontade de fumar. Não poder e querer são coisas diferentes não é? Não posso e nem quero fumar. Confesso sentir falta da dança que a fumaça faz... ainda mais com a companhia de um belo vinho seco. – Bebo mais um gole de chá – maçã, cravo e canela- é o que me resta pra uma noite de gotas finas descompassadas.
O silêncio de agora, me tráz sons de flautas, de bumbo que é o meu próprio coração e o sangue correndo em meu corpo. Tudo é música. Até o cheiro é música agora. Esse cheiro de nada que o tempo às vezes deixa.
Mas, que contradição... Está caindo uma chuva fina lá fora e aqui dentro, ao invés de ter cheiro de chuva, não tem cheiro de nada do tempo. Acreditem... É a mais pura verdade. É o cheiro da morte do tempo. Não a morte propriamente dita. Mas o cheiro de tempo perdido por escolhas que não foram as minhas. Não por completo, se é que existe o completo dessas escolhas.
Agora deixo vir o que é de vir mesmo. Fico cá com a chuva e os sons do seu infinito que também é meu. Não há diferença, só igualdade. Hoje, talvez, nem saiba quem é... Mas você sabe que eu sei. Sei da parte que sou eu e da parte que é você. Somos uma grande parte de um futuro com cheiro de nada nesse exato momento – estou me confundindo. O que quis dizer com isso foi: - me procure em você, assim, se achará novamente. Ou foi o contrário? Talvez tenha sido ...

“Isso” .

terça-feira, 11 de maio de 2010

ei, psiu!

Pra você que falou mal de mim

Penso que, se uma pessoa me faz rir, já é do bem e vira amiga. Porque gente luzeira, desse jeito, tá dificil de achar hoje em dia. Então, me agarro a ela como se fosse minha salvação. Salvação de um dia morno e cinza. Gosto de gente espontânea e colorida. Daquelas que distribuem sorrisos de graça. Não importa se é preto, branco, amarelo. Não importa se a opção sexual dela seja outra. Tá me entendendo, ô cara pálida?
Fico pensando no que é que as pessoas ganham, ao excluir do seu meio, uma pessoa que escolheu um outro caminho. E entendo menos ainda, quando essas mesmas pessoas julgam de forma preconceituosa e agressiva as pessoas que as escolhem como amigas. Mas tô nem aí pra vocês, ó! Gente de cara amarrada, que só dá coice porque não aprendeu a sorrir. Que não aprendeu a ser feliz. Que não aprendeu a ver a beleza e a delícia que a vida é. E é pra essa pessoa que eu digo: Se quiser andar com a gente, pode vir. A gente ouve Lady Gaga bem alto no carro. A gente canta e dança enquanto dirige. A gente se acaba numa pista de dança. A gente pinta as unhas de rosa chicleteee. E a gente também costuma estender a mão pra quem joga pedra. A gente devolve sorriso pra quem mostra a língua. A gente anda de salto alto enquanto você, de sandália havaianas. Porque a alegria de viver, meu bem, não se aprende e não se compra numa botique da esquina.

PRONTOFALEI!

Cris Carvalho

Neves Paulista, 11 de Maio de 2010

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Para a menina que mora em mim

'Como não era de curtir tristezas, pescou uma
estrelinha do céu, botou na testa e acendeu a alegria'
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[Um girassol na janela]
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Sorri com os olhos mais do que com a boca, porque a alegria pra ela só é verdadeira se vem de dentro. Aquela alegria boba que invade e fim. Acredita que o bem vai vencer no final, mesmo que as forças sujismundas digam o contrário todo-santo-dia. Se banha no reino das águas claras e sai purificada, porque é criança de alma.
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Me benzo. Te benzes.
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E seguimos fortes todasduas. A mulher de alma aleijada
e a menina curadora de todas as feridas.
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terça-feira, 23 de março de 2010

Príncipe,

Parece que foi ontem. É, parece sim. Aquele dia ensolarado, um carnaval, um beijo no sofá da sala. Ao mesmo tempo parece que é a vida inteira. Como se a gente se conhecesse de outras vidas, de outra dimensão.
Hoje é dia de festa. Mais um ano de vida. E cá estou eu, sem palavras para lhe parabenizar. 
Quero que você saiba uma coisa. Aliás, várias coisas: Foi você quem me ensinou a amar. É você quem me tira o sono. É seu abraço que me dá paz. É seu o único colo que me conforta, o sorriso mais lindo que eu já vi, o beijo mais doce que existe. 
Você é a razão da minha alegria diária. A força que não me deixa cair. A doce sensação de me sentir amada.
Hoje, príncipe, eu entendo que você me completa. Que sem você, eu não posso ser feliz. Entendo que eu não posso viver sem você. Que quero construir uma história, uma linda história de amor, contigo.
É impossível não me embaraçar com as palavras quando o destinatário é você. Fico "toda sem jeito". Mas também, nenhuma frase, nenhuma carta seria capaz de expressar verdadeiramente meus sentimentos.

Eu vou pra onde você for. Qualquer lugar do mundo é lindo, se você estiver lá. Eu quero estar sempre ao seu lado. E ser sua amiga, sua mulher, sua amante, sua eterna namorada. 

Feliz aniversário, meu amor. Hoje com a certeza de que comemoraremos por muitos e muitos anos. 

Da sua,

Suh. 





quarta-feira, 10 de março de 2010

M de Saudade.




Hoje o tempo passa no tempo dele. Sempre é assim, eu sei. Não posso acelerar, jogar tudo pra frente. É o que mais queria nesse exato momento. Tenho acordado tão só. Na cama, lembro de pernas, das mãos, dos olhares, sorrisos... viro pro lado, meu travesseiro e o vazio acompanhado do perfume da lembrança. Eu sinto. De verdade, sinto.
Me pego olhando pro nada. Meu espelho não me reconhece. São outras bocas, pernas... outros toques, cheiros, músicas, sabores... no final, só o final. Eu era feliz. Era. Não que não esteja sendo, por que sou uma pessoa que inventa os dias. Sou feliz. Mas antes... não inventava tanto. O antes era tão bom, tão verdadeiro. O Eu completo. Hoje, metade de mim sou eu e a outra metade, partiu. Só me resta o meu lado de dentro.
Choveu tanto um dia desses. O céu tava tão perto da terra... cada raio lindo, cada trovão... Fiquei só olhando pela varanda. Pensei tanta coisa... e no final, saí andando... na escuridão do vazio da solidão. Não que estivesse só, não é isso. Só estava na falta de você que sou eu. Não senti medo. Só no depois. Mas que ironia não? No início -do nosso início- o medo, agora a saudade. Seria bem melhor deletar tudo e voltar para o antes do agora. Voltar aquele sorriso, aquela mão no meu peito, como quem segura o coração. Aquelas pernas entrelaçadas, aquele toque.. aquele, aquilo... tudo.
Agora não sei terminar esse escrito. Fico com o silêncio da noite e essas lágrimas que caem.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dona Moça

Ao som de Secos & Molhados
e um incenso Lua pra clarear.

Menina-moça, tentaram me fazer acreditar que o amor não existe e que sonhos estão fora de moda. Cavaram um buraco bem fundo e tentaram enterrar todos os meus desejos, um a um, como fizeram com os deles. Mas como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos. Em construir castelos sem pensar nos ventos. Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim. A manter meu buquê de sorrisos no rosto, sem perder a vontade de antes. Porque aprendi com a Dona Chica, que a vida, apesar de bruta, é meio mágica. Dá sempre pra tirar um coelho da cartola. E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos. Sem me preocupar se a próxima etapa será o tombo ou o voo. Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parado. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim. O destino da felicidade, me foi traçado no berço. Disse um certo pai Ogum.
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Ela desatinou
Composição: Chico Buarque

Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando

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PS: E porque hoje é dia dela, eu vou orar: 'Salve Rainha do Mar, minha mãe Janaína, canto a Iemanjá. Adolê, Odoyá minha mãe! Banha meu corpo, limpa minha alma, renova meu espírito, me abriga em teu íntimo, Mãe d'agua Odoyá!