domingo, 29 de novembro de 2009

Para Lídia,


Pequeno bilhete para

uma pessoa importante


Pegue um sonho e o lance de lá pra cá. Quero botar o meu mundo inteirinho dentro dele. Pra minha casa ser morada da Alice também. Aquela que eu te falo sempre. Que gosta das Maravilhas e das esquisitices que o mundo traz. Quero aprender a sambar até nos dias de chuva. Quero mais sim do que não. Ahhh, Lídia, me manda tuas palavras bonitas. Me deixa sonhar!
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Criiis, a que anda nas nuvens
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sem mais nem porque
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Para Lucas P.

'Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança:

sempre um milagre é possí­vel, o mundo se resolve.'

[Guimarães Rosa]

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Sonhei com nós dois atravessando um túnel. De mãos dadas, caminhávamos em direção à luz. E, todas as tuas feridas expostas cicatrizavam com a energia que irradiava do lado de lá. Porque daquele lado tinha pai e mãe. Tinha um escapulário e uma imagem de Nossa Senhora. Tinha energia da boa. Daquelas que brotam dos corações mais puros. E eu sei que ocê tava precisando passar depressa. Agoniado pra chegar num lugar mais bonito. Mas o final do sonho eu não vi. Só sei que, no mundo de cá, a gente tem fé. E por isso mesmo, seguimos inteiros.

E eu rezo, amigo, todo-dia...

Gosto por demais, viu?

Cris, a que sonha.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Para Lídia,


'Então eu virei pra ela e falei assim: ah, nada, boba,
também é assim, se der, bem,
se não der, amém, toca pra frente.'
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[Adélia Prado]
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Ela é uma menina com uma flor - diria Vinicius. Mas eu digo mais. Digo, então, que ela é uma menina com uma flor e seus encantos. Tipo bruxa que faz magia pro bem. E ela é assim, mesmo fragmentada depois da luta, ela parece todainteira. Porque leva no bolso aquele monte de girassóis que eu lhe enviei por meio do vento. E nos lábios carrega, ainda, aquela prece poderosíssima: 'Andarei vestida e armada com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me exerguem e nem em pensamento eles possam me fazer mal.' E, assim, ninguém a alcança. Vai ver porque ela não é mesmo daqui. Veio de qualquer outro mundo distante, onde o coração pesa mais na balança. De um lugar onde se trocam carinhos na alma.
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Sê forte!
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Te abraço com carinho!
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[Cris, a que sonha]
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Carta pra você, pra você e pra você também, ô!

Acordei com o estômago cheio de borboletas. Esvoaçam as danadas. Fazem cócegas sem dó, mas não me importo! Mergulhada em uma leitura de Lya Luft as coisas ficam ainda mais bonitas, são palavras de um estranho que dão maior significado a vida. O poder do desconhecido sobre nós.
A vida é um emaranhado de coisas estranhas, mas são exatamente essas coisas que dão sentido a ela, que por hora está azul, outrora a gente não consegue definir a cor, pois vai sumindo até não conseguirmos ver mais. E é aí que ficamos tristes e com os ombros pesados, mas a cor não foi embora 'seu' moço, não sai de lá nunquinha, é que vezenquando ela gosta de brincar de esconde-esconde. Tudo que não consigo definir, de certa forma considero estranho. O Amor, assim mesmo com letra maiúscula, não é algo fácil de ser definido. Uns diriam que é "Fogo que arde sem se ver", outros que "Amor é carnaval". Amor é a falta de definição mais bela que existe. Não devia caber em dicionários. Existem coisas que não conseguimos definir. Não há mesmo uma explicação para o mais belo. Quando inventarem um significado, uma razão para aquilo, deixa de ser belo, deixa de ser puro.
As grandes loucuras começam nas explicações. A vida não foi feita para ser explicada, mas para ser vivida. O lugar onde vivemos é na verdade um sonho, daqueles bem bonitos, que ninguém deseja acordar e quando acorda quer definir. Quer saber o que significa sonhar com chuva forte? Quer dizer que sua colheita será farta, seu moço, quer dizer isso. A gente acredita no que quiser, no que nos convém, bem assim que é. E quase sempre a gente tenta acreditar no melhor, porque o pior não é algo que a gente precise acreditar. Em nossa maior descrença, lá está o danado do pior, e ele nem liga. Mas eu também não ligo, o que há de sentimentos bons em mim já está atingindo o céu. Tingindo o céu. O meu céu, que quando está escuro eu trato de colorir de azul.
Correr, dar carinho, amar, assim sem definição é bem melhor. Acreditem em mim. Mas se não quiserem acreditar, não faz mal. Cada um tem seu caminho, assim florido, assim bonito. Se soubermos enxergar através das lunetas tudo fica bem. Os astros, os destinos, que vão em direções contrárias as que desejamos, sempre nos levam para um caminho onde há pôr do sol e estrelas. Isso deve bastar. Viver assim, com estrelas, sol e flores.
As pedras? Já sabemos que estão atravancando a jornada. Tenhamos força na ponta do pé para jogar as tais pedras bem alto, para que cheguem até a Lua. Pedra da Lua! Aquela pedra que usam para absorver a energia que a Lua nos passa. Dizem que é eficiente até contra tendências auto destrutivas. Traz amor, paz, harmonia. Ô Lua. Esse astro foi feita pra iluminar... Os seus passos, os meus...

Beijos,

Noemyr. Brasília, 04 de novembro de 2009.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Minha menina Luísa,

'Ocê tome tento' que as coisas não são só do jeito que a gente quer. Pra sua vida ser boa contigo, tu também tem que ser boa com ela. E isto eu bem sei, requer muita paciência. Fala pra tua alma aquietar que as coisas não são bem assim não.
A gente não pode achar que é só coisa boa que tem que nos acontecer. Fala pra ela entender que o "ruim" as vezes é para nos fazer assimilar que é "maior o que está em nós do que o que está no mundo".
Fala pro seu coração se acalmar porque tudo tem o seu tempo. Esse aperto no peito que te dá às vezes é só para não apagar a chama linda que você tem nele. Acalme-se que por mais que você pense, o Amor não te esqueceu não; ele só está lhe dando tempo pr'ocê se conhecer melhor e trocar as coisas feias pelas bonitas. E é isso mesmo, ocê tem razão quando pensa que quanto mais se espera; maior é a recompensa. Por isso, não tenha pressa.
Ocê diz que o Amor é coisa complicada. Mas não é não. A gente tem que saber conversar com ele, é só isso. Vez ou outra, ele nos prega uma peça e acelera por quem não devia. Mas aí, é só combinar com seus pares andantes de, nessa hora, obedecer a cabeça. Mas menina bonita, presta atenção: é só nesse caso, entendeu? O Amor vai te mandar uma pessoa legal, ele me dise, só que pra isso, ocê não pode ter medo não, viu? Sabe por que eu sei dessas coisas? Porque eu também tinha medo dele, e quando ele veio, eu pedi pra ele ir embora. Mas o Amor não quis. Ocê tem que se acostumar com esse temperamento dele também, menina Luísa! Só que eu posso te contar um segredo? Estar apaixonado não é ser escravo não. Depois que ocê aprende isso, você vê que esse é o sentimento mais bonito que se pode ter. Resumindo: no começo, eu pedi pra ele ir embora e ele não foi; outro dia, ele que pediu pra ir embora e eu não deixei. Entenda, bonita, não se pode deixar que o ódio ou a indiferença vença esse senhor não! A gente tem que ser amor desde o cabelo arrepiado do alto da cabeça até o dedão do pé!
E é só assim que ocê vai conservar esse brilho nos olhos e vai conseguir manter as coisas limpinhas dentro de você, que insistem em dizer que não existe.
Aprenda a sentir os gostos, as cores e as bondades de tudo. Todo mundo é uma rosa. Mesmo sem saber, a gente tem espinhos que nos afastam das pessoas, ocê também é assim. A nossa única responsabilidade é avisar aos outros onde eles estão, para assim, tocarem com cuidado.

Ah! E esquece o que dizem por aí. A bonitez por dentro é o que importa!

domingo, 25 de outubro de 2009

Calma, alma minha, calminha...


Parece egoísmo, mas não é. Essa coisa de me escrever cartas é apenas mais uma forma de busca. Eu sei de algumas coisas, mas um misto de esperança e ilusão não me deixam encontrar essa coisa que alguns chamam de paz interior... É uma esperança idiota fundada em impossibilidades. E agora eu me sinto burra o suficiente para não poder me redimir de erros antigos. Quando se começa algo, é preciso saber o momento exato de voltar... porque depois pode ser tarde demais e mesmo quando tiver um caminho de volta, vários pedaços teus acabarão ficando jogados por ele. E nem você será mais o mesmo, nem o caminho. Minha inquietude se transformou em insônia. Eu desaprendi a coisa mais fácil do mundo pra mim! Não saber dormir é igual ter fome e não saber comer, não saber comer porque não existe comida que mata fome interior... não existe, eu penso. Meu cérebro anda numa tentativa louca de se livrar de mim, de algumas coisas boas que se tornaram ruins e vice-versa... É que minha alma já partiu há algum tempo... e sozinho ele não aguenta. Ele passa o dia me dizendo que não vai saber suportar... e agora eu tenho medo.

Se alguém souber por onde andam minha alma, minha sensatez e minhas vontades, por favor, me avisa? É que eu preciso dessas coisas para saber de outras e pra continuar... É só pedir pra elas voltarem, mesmo que forçadamente. Eu só preciso do meu eixo central funcionando... sobre as outras coisas a gente aprende a conviver, seja com a falta, seja com a presença... Eu preciso daquela coisa do caminho in e não off sabe, eu preciso da minha essência resgatada.

Eu sei que algumas coisas nunca deixarão de existir. Eu sei que essa minha inquietude é parte de mim. Só que eu preciso de paz por um tempo, mesmo que seja breve, mesmo que se assemelhe a ilusão. Dá pra se perder de várias coisas, só não sei mais ficar sem me encontrar... É que eu já não tenho todo tempo do mundo!




"No meu demente exercício para pisar no real,
finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Anjo pálido,

[dono de todas as artes]
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Entonce foi anssim que tudo começô? Uma gota de mer e o amor se fez. A vida ficô linda de uma hora pra otra. E o jardim tão fremoso que dava gosto. Dipois, ocê cansô de vê tudo certim, tudo tão alinhado que resorveu aprontá uma arte. Daquelas de criança matreira que acha graça é na desgraça dos otros. Foi aí que trocou o mer pelo sar. As coisas desandaram e o mundo virô de ponta cabeça. O amor murchou que nem pranta que fica direto no sor. Sem trato. E veio a fenecê. Caiu-se mortinho da silva. Sem mais nem porque. E, daí de cima, ocê aplaudia, anjo marvado! E eu achando que eu devia de merecê tudo isso, por ter sido sempre uma pessoa das avessas. Deve de sê castigo dos deuses - a mãe dizia - ocê é muito ruim, menina. E por um bocado de tempo, acreditei nisso mais que tudo. Acabei ficando jururu. Quase que doente da alma. Mas acontece que otro anjo apareceu e resorveu devorvê o mer que ocê me tirô. O sor vortô a brilhar onde antes era só chuva. E eu até que prefiro anssim. Porque dipois da chuva o sor é mais bonito. E no meu jardim tem bem mais frô que antes. E que num morrem nunca, nunquinha.


[Cris, a que sonha]